O dia do concerto é sempre especial para os coralistas.
Penteados vistosos, o rouge a esconder os nervos que andam à flor da pele. O trabalho está bem preparado mas as bocas ainda se secam um pouco mais do que o habitual e as dores de barriga teimam em incomodar para além do desejável.

Da preparação do concerto nenhum/a ignora que está de modo a não nos deixar com lapsos de memória mas, ainda assim, o momento de enfrentar o público («Será que está muita gente?») arrasta sempre algumas angustiazitas desconfortantes.

Até entrar o maestro, ali estamos nós, indefesos, com as notas amontoadas na memória à espera de poderem sair «de carreirinha» sem atropelos e no tempo certo. Eis que o maestro (depois de cumprimentar o público) se volta para nós e pede para abrir a pasta.

Distribuídas as notas (uma para cada naipe e não vale cantar a dos outros) começa a nossa função. A angústia dá lugar ao prazer. As notas que trazíamos para oferecer ao público saíram todas certinhas e no final os sorrisos abrem-se nos nossos rostos.

Quer seja em Tomar quer em qualquer outro local dos muitos por onde passámos, procuramos sempre transmitir a imensa alegria que nos dá este acto colectivo que é cantar em coro.

Eram dez, cem, mil a assistir? Mais importante do que isso é a satisfação de cada um dos assistentes e dos coralistas.

E tem sido assim desde 27 de Janeiro de 1980 quando no salão de festas da Sociedade Banda Nabantina o coro se apresentou pela primeira vez.